Lançamento do Documentário
29/08/2026 15h00 · Atualizado há 2 mesesÌyálòdè: Cinema, cuidado e resistência liderados pelas mulheres de axé
Com exibição de curta-metragem, roda de conversa e troca de ervas e sementes, o projeto Irugbin reuniu lideranças femininas e comunidade no Auditório Heleny Guariba para celebrar a força das Ìyás frente ao racismo ambiental

No dia 28 de agosto de 2026, o Auditório Heleny Guariba, em Santo André (SP), transformou-se em um altar de afeto, memória e potência política com a realização do evento “Ìyálòdè: Cinema, Cuidado e Resistência”. Promovido pelo eixo de Racismo Ambiental do projeto Irugbin: Intercâmbio de Saberes para o Enfrentamento da Desinformação Climática junto aos Povos Tradicionais de Matriz Africana no ABC (UFABC), o encontro colocou em luz o protagonismo matriarcal na sustentação da vida e do sagrado.
A coordenação, articulação e mediação da noite estiveram a cargo de Jéssica Garcia da Cruz (Ifaosudare), Katharina Melo Costa Santos, Iyá Adriana e Dofonitinha Hingrid.
O audiovisual a serviço do sagrado e da liderança feminina
Inspirada nos Itans de Òṣún, a proposta nasceu do conceito de uma imersão visual e política para evidenciar as mulheres que sustentam a economia do cuidado dentro das comunidades tradicionais de matriz africana (POTMAs), enfrentando o racismo estrutural e o racismo ambiental.
A espinha dorsal da noite foi a estreia do curta-metragem documental Ìyálòdè, que reuniu os depoimentos marcantes de seis dirigentes de casas de axé:
- Iyá Cátia
- Iyá Fabiana
- Iyá Ifagbamileke
- Iyá Juwon
- Iyá Marlene
- Iyá Zaidan
Em tela, as lideranças compartilharam as tecnologias ancestrais desenvolvidas pelas mulheres para manter vivas as comunidades de axé, o cuidado como estratégia de resistência política e os desafios diários de ser uma mulher à frente de um terreiro. A presença física dessas líderes na plateia aproximou a pesquisa acadêmica da vivência real das comunidades, em um verdadeiro reconhecimento público da liderança feminina.
Múltiplos caminhos de acolhimento e celebração
A programação reuniu cerca de 25 participantes, entre integrantes das comunidades de matriz africana, pesquisadoras do projeto Irugbin e público geral, articulando-se em momentos de profunda integração:
- Acolhimento e Cantos a Òṣún: O credenciamento deu lugar a uma recepção cultural embalada por cantos dedicados a Òṣún, preparando o espaço com energia de cuidado e acolhimento.
- Roda de Conversa: Em formato dinâmico inspirado no programa Saia Justa, a roda provocou reflexões profundas entre as dirigentes presentes a partir de perguntas disparadoras.
- Comunhão e Àjeun: A dimensão comunitária foi fortalecida durante uma refeição colaborativa, alimentando o corpo e o espírito de pertença.
- Exibição do Documentário: A projeção do curta-metragem emocionou os presentes ao verem registradas as vozes, histórias e saberes das Ìyás.
- Encerramento Ancestral: O evento encerrou-se poeticamente com a leitura do Itan de Oxum e uma troca simbólica de sementes, mudas e ervas entre todos os participantes.
Cultivar memórias para colher direitos
A realização de Ìyálòdè reafirma o compromisso do projeto Irugbin em transformar escuta e pesquisa em ferramentas de emancipação social. Ao conectar a universidade e as casas de axé do ABC por meio do cinema e da convivência, o projeto semeia o enfrentamento ao racismo ambiental a partir de quem sempre cuidou da terra e da comunidade: as mulheres.

















Crédito: Monique Scantamburlo