IRUGBIN

Categoria: OFICINAS

Oficina de Justiça Territorial

16/08/2026 14h00 · Atualizado há 2 meses

Entre o Machado, os Ventos e os Territórios: justiça territorial e saberes que constroem direitos

Em roda de conversa na Biblioteca Nair Lacerda, o projeto Irugbin reuniu lideranças, pesquisadores e comunidade para debater território, combater a desinformação climática e dar vida à cartilha “Káwò”

Na manhã de sábado, 15 de agosto de 2026, a Biblioteca Nair Lacerda, em Santo André (SP), transformou-se em um espaço vivo de escuta, diálogo e construção coletiva. A roda de conversa sobre Justiça Territorial fez parte das ações do projeto Irugbin: Intercâmbio de Saberes para o Enfrentamento da Desinformação Climática junto aos Povos Tradicionais de Matriz Africana no ABC, realizado em parceria com a Secretaria de Cultura do município.

Fruto dessa potente troca de saberes, o encontro deu origem à cartilha “Káwò: território e direitos dos Povos Tradicionais de Matriz Africana”, uma ferramenta desenhada para instrumentalizar e fortalecer a luta por direitos das comunidades tradicionais.

Encontro de gerações e trocas que fortalecem

Com a cessão do equipamento público e a divulgação conjunta entre as redes municipais e o projeto Irugbin, a atividade mobilizou cerca de 25 participantes, atingindo um ótimo nível de engajamento a partir das inscrições prévias.

Fiel à filosofia e ao modo de vida dos povos tradicionais de matriz africana (POTMAs), o evento foi banhado pelo afeto e pelo acolhimento de um café da manhã colaborativo. A roda reuniu a força dos mais velhos (autoridades e lideranças POTMA) e o entusiasmo dos mais novos, contando com a presença de crianças e de pessoas da comunidade externa interessadas em aprender e somar na caminhada.

O encontro estruturou-se em três momentos marcantes:

  1. Abertura e apresentação: Apresentação dos horizontes e objetivos do projeto Irugbin, conduzida por Michelle Sato e Carol Árabe.
  2. Vozes da ancestralidade: Aprofundamento do debate a partir das falas das autoridades convidadas: Iyáloriṣà Adriana t’Ọmọlú, Babalorixá Dr. h.c. Eduardo d’Sango e Iyáloriṣà Cátia de Oya.
  3. Diálogo aberto: Espaço pulsante de perguntas, respostas e reflexões compartilhadas entre a equipe do projeto (com manifestações de Osunsi), as autoridades tradicionais e o público ouvinte.

Nasce a cartilha “Káwò”: do debate para as páginas do direito

As discussões, provocações e informações que emergiram da roda de conversa foram sistematizadas e transformadas em conteúdo público. Escrita em linguagem acessível para dialogar tanto com quem é de axé quanto com a sociedade ampla, a cartilha “Káwò: território e direitos dos Povos Tradicionais de Matriz Africana” busca ampliar o conhecimento e combater a desinformação.

O material divide-se em eixos fundamentais:

  • Nada sobre nós sem nós: A afirmação das pessoas POTMA como povo e sujeito de direitos, e não apenas como expressão religiosa.
  • Ilê axé, nzo, roça, tenda, terreiro, casa: Conceituação de território e a matriz de direitos que o envolve.
  • Mexeu com um, mexeu com todos: As conexões profundas e indissociáveis entre as comunidades POTMA e o meio ambiente.
  • O direito não socorre os inertes: Um resgate histórico e prático dos direitos e garantias já conquistados com muita luta.
  • Começo, meio, começo: Reafirmação da necessidade de fortalecer a base e honrar os ancestrais ao projetar os próximos passos.

Com essa publicação, o Irugbin reafirma seu compromisso de transformar a escuta atenta e o respeito às vivências tradicionais em sementes de transformação social, cidadania e defesa da natureza.

Crédito: Monique Scantamburlo