IRUGBIN

Categoria: OFICINAS

Oficina de Manejo Agroecológico

03/08/2026 13h00 · Atualizado há 3 meses

AFẸ́FẸ́ ÀTI IGBÓ: Mão na massa, ancestralidade e sustentabilidade em defesa da natureza

Com práticas agroecológicas, saberes tradicionais e a força da comunidade, o projeto Irugbin reuniu lideranças e participantes para cultivar a resiliência ambiental nas Unidades Territoriais Tradicionais (UTTs)

No dia 1º de agosto de 2026, a cidade de Santo André (SP) foi palco da oficina “AFẸ́FẸ́ ÀTI IGBÓ”, um encontro dedicado à Resiliência Ambiental e Manejo Agroecológico nas UTTs. O evento foi realizado pelo projeto Irugbin em parceria com o Espaço Ecoke – território guiado pela Autoridade Religiosa Ancestral Pai Marlon Peixe, que há 4 anos lidera o espaço e soma mais de 22 anos de caminhada na umbanda, zelando pela liberdade religiosa afro-indígena, pela preservação ambiental e pela continuidade das tradições de matriz africana.

A coordenação do encontro esteve a cargo de Pai Peixe e de Iyá Paula (Ya Tenin no Asé Nita Nijalé, in memoriam de Mariazinha de Odé), representando o Ilê Asé Esú Bíyì. Iyá Paula é aromaterapeuta, terapeuta integrativa e complementar, idealizadora da marca Arte Aroma Raízes Ancestrais e autora do livro “Reconhecendo Minhas Verdadeiras Raízes”. O encontro contou ainda com a presença dos filhos de santo da casa e de Babá Eduardo de Xangô (Autoridade Tradicional do Ilê Asé Onã Idajó, coordenador executivo municipal do FONSANPOTMA e parceiro do Irugbin), além de outros 21 convidados, somando integrantes do projeto e membros da comunidade externa.

A oficina consolidou-se como um marco para o Irugbin: um espaço vivo de troca de saberes sobre ancestralidade, sustentabilidade, ervas e meio ambiente.

Aprender fazendo: a força do conhecimento compartilhado

A abertura foi conduzida por Pai Peixe, que destacou a importância vital da preservação da natureza nos ritos religiosos e detalhou como sua comunidade tem implementado práticas agroecológicas no cotidiano do terreiro. Na sequência, Iyá Paula compartilhou sua trajetória na religião e como suas vivências fundamentaram sua especialização no manejo das ervas. Babá Eduardo de Xangô trouxe reflexões sobre sua atuação como autoridade tradicional no campo político e, para encerrar a primeira etapa, foram apresentados os próximos passos e compromissos da agenda do projeto Irugbin.

Em seguida, a teoria deu lugar à prática na oficina, convidando todos a colocarem as mãos na terra e no conhecimento:

  • Compostagem e gestão de resíduos: A bióloga Juliana Cristina, filha de santo de Pai Peixe, ministrou uma atividade prática sobre compostagem como solução para os resíduos orgânicos, ensinando desde a montagem da composteira até a obtenção do adubo final.
  • Escalda-pés e a sabedoria das ervas: Guiados pelo vasto conhecimento de Iyá Paula, os participantes aprenderam como as plantas atuam no corpo e elaboraram juntos uma receita relaxante com sal-grosso, lavanda e camomila (levando uma porção do preparado para casa).

A energia e o impacto do encontro refletem o desejo direto das comunidades por ações concretas de preservação. Como destaca Gabriela Scudero:

“Foi muito especial participar da organização dessa oficina, porque ela surgiu de uma demanda, que identificamos em grande parte das entrevistas, por práticas de sustentabilidade e preservação ambiental dentro das UTTs. Então, a oficina foi um momento muito rico e bonito, com muita ‘mão na massa’ e todos alegres e felizes de participar. Aprendi e me diverti bastante!”

Ao final das atividades práticas, o encontro culminou em um grande Àjeun Àjose, um momento coletivo de celebração, comemoração e partilha.

Crédito: Monique Scantamburlo